FOTOGRAFIA, REALIDADE OU FICÇÃO…
A fotografia viverá sempre entre a realidade e a ficção, o seu propósito de documentar o mundo, como qualquer espelho de momentos, congelando-os e representando-os, sempre, com aparente subjetividade.
O pai do fotojornalismo, Henri Cartier-Bresson, o fotógrafo do “instante decisivo”, o tal momento único em que todos os elementos visuais e emocionais se alinham, “fotografa, colocando na mesma linha a cabeça, o olho e o coração”, evidencia assim, com clareza, o papel subjetivo do olhar humano, o que se escolhe para fotografar, a perspetiva, a luz e até mesmo o momento ou sucessão de momentos, produzem interpretações e significados que transcendem a realidade objetiva desse instante.
O poder ficcional da fotografia, seja pela manipulação direta da realidade, ou pela escolha de narrativas especificas, permite encenações elaboradas que desafiam a ideia de que a fotografia é uma representação fiel da realidade. Atente-se ao trabalho de Cindy Sherman que utiliza a fotografia para questionar construções sociais especialmente relacionadas a género e identidade, quando afirma “eu não fotografo a realidade, eu crio a minha própria realidade”.
A consciência de que a fotografia navega entre a realidade e a ficção, é dada no célebre conceito transmitido por Ansel Adams, “tu não tiras fotografias, tu fazes fotografias”, sintetizando assim de uma forma muito clara que a fotografia envolve um processo criativo que vai muito além de um simples registo passivo, incentivando tanto o fotógrafo, quanto o espectador, a uma reflexão profunda do que é real, do que é ficção, ou um mero devaneio do autor.